Eleições 2026: Grande ABC já soma 380 denúncias eleitorais e candidatos da Alesp são principais alvos
Levantamento mostra aumento da fiscalização na região enquanto eleitorado se aproxima do primeiro turno em 4 de outubro.
A campanha eleitoral de 2026 entrou em uma fase decisiva no Grande ABC, e a quantidade de denúncias registradas na região já chama atenção. Segundo levantamento divulgado pelo Reporter Diário nesta segunda-feira (14), o Tribunal Superior Eleitoral contabiliza 380 denúncias eleitorais relacionadas ao ABC, com candidatos a deputado estadual aparecendo como os principais alvos. O número ganha importância porque a campanha completa um mês nesta semana e a disputa pelas cadeiras da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados começa a ocupar cada vez mais espaço nas cidades da região.
Para o eleitor de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, a questão prática não é apenas saber quantas denúncias existem. É entender o que pode ser irregular em uma campanha, como denunciar e por que a fiscalização ganhou peso neste momento. O TSE mantém ferramentas específicas para esse acompanhamento, enquanto as candidaturas ampliam a presença nas ruas e nas redes sociais. A proximidade da votação também torna mais importante diferenciar uma denúncia formal de uma acusação política ainda não comprovada.
Por que as denúncias eleitorais aumentaram no Grande ABC
O volume de 380 registros mostra que a disputa eleitoral no ABC já está sendo acompanhada de maneira ativa por eleitores e pela Justiça Eleitoral. A propaganda eleitoral de 2026 começou oficialmente em 16 de agosto, e desde então o aplicativo Pardal passou a receber comunicações sobre possíveis irregularidades. O sistema permite que cidadãos encaminhem informações diretamente à Justiça Eleitoral, que é responsável por analisar cada situação e adotar as providências cabíveis.
O cenário regional acompanha uma tendência observada em todo o Estado de São Paulo. Em levantamento divulgado pelo TSE ainda em agosto, São Paulo liderava o número de denúncias recebidas pelo Pardal, com 193 registros naquele momento, enquanto o país já acumulava mais de mil ocorrências. Entre os principais motivos estavam irregularidades relacionadas a impulsionamento de conteúdo, internet e utilização de bens públicos. Desde então, a campanha avançou e os números nacionais e regionais passaram a crescer.
No ABC, a concentração das denúncias em candidatos que disputam vagas na Assembleia Legislativa também ajuda a entender a dinâmica eleitoral regional. Diferentemente de uma eleição municipal, em que a disputa pelo comando das prefeituras domina o debate, a eleição de 2026 coloca em jogo cargos que muitas vezes parecem mais distantes do cotidiano, mas têm influência direta sobre orçamento estadual, saúde, segurança, transporte, educação e infraestrutura. A atuação de deputados estaduais pode afetar, por exemplo, investimentos em hospitais, escolas estaduais, Polícia Militar, estradas e obras que atendem municípios da região.
Esse ponto é especialmente relevante porque Santo André e São Bernardo do Campo estão entre os maiores colégios eleitorais do Estado fora da Capital. O TRE-SP registrou, em dados anteriores de organização eleitoral, mais de 643 mil eleitores aptos em São Bernardo e mais de 583 mil em Santo André, números que dão dimensão do peso político das duas cidades. O eleitorado das sete cidades, somado, transforma o Grande ABC em um território estratégico para candidatos que buscam votação para a Assembleia e para a Câmara Federal.
O que pode ser denunciado pelo eleitor durante a campanha
Uma das principais dúvidas de quem recebe uma propaganda política suspeita é saber se aquilo realmente configura uma irregularidade. O TSE explica que o Pardal pode receber denúncias relacionadas à propaganda eleitoral irregular, compra de votos, uso indevido da máquina pública e outras situações que possam comprometer a normalidade do processo eleitoral. A ferramenta funciona como um canal de encaminhamento das informações, mas não significa que toda denúncia registrada resulte automaticamente em punição ao candidato ou partido citado.
O eleitor precisa apresentar informações que permitam verificar o fato. De acordo com o TSE, o Pardal permite anexar descrição da ocorrência e elementos como fotografia, vídeo, áudio ou endereço eletrônico relacionado ao possível problema. O acesso é feito por autenticação pelo e-Título ou Gov.br, e o sistema gera um protocolo para que a pessoa possa acompanhar o encaminhamento da denúncia.
Essa diferença entre denunciar e condenar é fundamental para evitar que números de ocorrências sejam utilizados como prova de que determinado candidato cometeu uma irregularidade. Uma denúncia representa uma comunicação feita à Justiça Eleitoral; depois disso, o caso precisa ser analisado conforme as regras aplicáveis e as provas apresentadas. Em uma campanha marcada por intensa disputa política, transformar automaticamente uma acusação em fato comprovado pode contribuir para a circulação de informações falsas ou distorcidas.
O cuidado também vale para conteúdos publicados nas redes sociais. O TSE estabeleceu critérios específicos para conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial, incluindo a definição de deepfake para fins eleitorais. A Corte determinou que a caracterização depende de conteúdo sintético ou manipulado com grau de realismo ou verossimilhança e destinado a criar, reproduzir ou alterar imagem, voz ou manifestação, quando utilizado como propaganda eleitoral. Para os moradores do ABC, isso significa que vídeos aparentemente reais de candidatos, prefeitos, deputados ou outras autoridades precisam ser avaliados com atenção antes de serem compartilhados.
Como a disputa eleitoral pode afetar o Grande ABC
O crescimento das denúncias ocorre em uma eleição particularmente importante para a região porque o resultado definirá os representantes que terão quatro anos de atuação no Legislativo estadual e federal. Para o Grande ABC, a discussão sobre representação política tem relação direta com temas que ultrapassam as fronteiras de cada prefeitura, como mobilidade metropolitana, investimentos industriais, saúde regional, segurança e infraestrutura. Uma bancada regional articulada pode atuar na busca de recursos e na defesa de projetos comuns às sete cidades, embora a eleição de representantes da região, por si só, não garanta resultados.
A necessidade de coordenação regional aparece também em iniciativas recentes do Consórcio Intermunicipal Grande ABC. Em setembro, a entidade discutiu com representantes da Braskem estratégias para fortalecer o Polo Petroquímico, preservar a atividade industrial e aproximar empresas, universidades, trabalhadores e governos de uma agenda de reindustrialização. O encontro mostra que questões importantes para a região dependem de articulação entre diferentes níveis de governo e do setor produtivo.
Outro exemplo está na mobilidade. O Consórcio ABC discutiu recentemente mecanismos de monitoramento e regulamentação do transporte de cargas e produtos perigosos, com foco em identificação, rastreabilidade, segurança e gestão do tráfego. Uma pauta desse tipo envolve simultaneamente municípios, Estado, empresas e órgãos reguladores, mostrando por que a escolha de deputados estaduais e federais pode ter consequências que vão além da propaganda eleitoral exibida durante a campanha.
Para o eleitor, portanto, acompanhar as candidaturas do ABC significa olhar além dos nomes mais conhecidos e das publicações que aparecem com maior frequência nas redes sociais. É importante verificar propostas, histórico político, partidos, informações oficiais de candidatura e eventuais decisões da Justiça Eleitoral. O próprio TSE mantém uma página específica das Eleições 2026 com acesso a dados de candidaturas, prestação de contas, pesquisas, partidos e canais de denúncia.
O momento também exige atenção porque o calendário eleitoral entra em uma etapa mais próxima da votação. Em 14 de setembro, o TSE estabelece como data-limite para a conclusão da cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas eleitorais, enquanto a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão permanece prevista até 1º de outubro. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e uma eventual segunda votação ocorrerá em 25 de outubro.
Para quem vive no Grande ABC, os 380 registros de denúncias funcionam como um sinal de que a campanha já está sendo intensamente fiscalizada, mas também de que o eleitor precisa separar informação comprovada de disputa política. A melhor postura é conferir a origem de vídeos e mensagens, consultar os canais oficiais e denunciar apenas situações que possam ser descritas e documentadas. O eleitor também deve observar quais propostas tratam de problemas concretos da região, como transporte, saúde, segurança, emprego e infraestrutura. Nas próximas semanas, a qualidade dessa fiscalização será tão importante quanto o tamanho da campanha nas ruas e nas redes.
Reporter Diário — 380 denúncias eleitorais no ABC: “TSE registra 380 denúncias eleitorais do ABC e candidatos à Alesp são maior alvo” (Repórter Diário)
- TSE — aplicativo Pardal e denúncias eleitorais: Pardal já está disponível para denúncias de irregularidades na propaganda eleitoral (Justiça Eleitoral)
- TSE — dados iniciais das denúncias nas Eleições 2026: TSE recebe mais de mil denúncias sobre irregularidades na propaganda eleitoral (Justiça Eleitoral)
- TSE — como o eleitor pode denunciar irregularidades: Manual do Eleitor: veja como denunciar irregularidades nas eleições (Justiça Eleitoral)
- TSE — dados abertos das denúncias eleitorais de 2026: Portal de Dados Abertos — Denúncias Eleitorais 2026 (Portal de Dados Abertos do TSE)
- TSE — regulamentação do Pardal para 2026: Portaria TSE nº 451/2026 (Justiça Eleitoral)




