São Bernardo do Campo se firma como a terceira maior exportadora do Estado de São Paulo
Cidade sede da indústria automotiva no Grande ABC registra quase US$ 1 bilhão em exportações no primeiro quadrimestre de 2026 e cria mais de 4 mil empregos.
São Bernardo do Campo aproveitou o Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, para reafirmar um papel que construiu ao longo de décadas: o de principal polo automotivo do Grande ABC e um dos mais relevantes do país. Segundo dados divulgados pela prefeitura, o município registrou US$ 983 milhões em exportações somente no primeiro quadrimestre de 2026, o que o coloca como a terceira maior exportadora do Estado de São Paulo.
A pergunta que fica para quem acompanha a economia da região é direta: esse desempenho reflete um crescimento pontual ou uma tendência mais consistente de recuperação industrial? Os números de emprego ajudam a responder. De acordo com o Caged, cadastro do Governo Federal que monitora admissões e demissões formais, São Bernardo teve saldo positivo de 4.103 empregos criados nos três primeiros meses de 2026, um indicativo de que a atividade econômica local está em expansão, e não apenas em um pico isolado de exportação.
Os dados de comércio exterior vêm do Comex Stat, sistema oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para extração de estatísticas do comércio exterior brasileiro.
Automóveis ainda são o motor da economia local
O levantamento aponta que aproximadamente 46% de tudo o que São Bernardo exporta está ligado à indústria automotiva, setor que define a identidade econômica do município há décadas e que segue como o motor mais potente de sua economia. Os principais destinos das exportações são a Argentina, que absorve mais de 30% dos produtos, seguida por México, com 13%, Chile, com 10%, Peru, com quase 8%, e Estados Unidos, com 6,8%.
A cidade abriga, historicamente, algumas das maiores plantas automotivas do país, incluindo unidades de Volkswagen, Mercedes-Benz e Scania. A Volkswagen assumiu o compromisso de investir R$ 7,2 bilhões até 2028 na planta Anchieta, em São Bernardo, que foi a primeira unidade da montadora fora da Alemanha.
Esse tipo de aporte não se limita à ampliação da capacidade produtiva. Boa parte dos investimentos recentes do setor automotivo no Brasil, incluindo os das plantas de São Bernardo, tem sido direcionada à modernização tecnológica das linhas de produção, ao desenvolvimento de combustíveis alternativos e à fabricação de veículos híbridos e elétricos, uma tendência já registrada por publicações do setor.
Mobilidade elétrica como próximo capítulo
A mobilidade elétrica representa a continuidade natural da vocação automotiva de São Bernardo, com a diferença de que a cidade agora se posiciona estrategicamente para liderar esse mercado do futuro, e não apenas seguir tendências definidas em outros países.
Esse movimento acompanha um esforço mais amplo do governo federal para atrair investimentos ao setor automotivo brasileiro. Em fevereiro, durante evento na fábrica da Volkswagen em São Bernardo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciaram um aporte adicional da montadora de R$ 9 bilhões no Brasil até 2028, voltado a projetos de descarbonização, incluindo veículos híbridos e totalmente elétricos.
Para os moradores e trabalhadores da região, esses números têm efeito prático direto na geração de empregos formais e na manutenção do Grande ABC como um dos polos industriais mais relevantes do país, mesmo diante da concorrência de outras regiões que também disputam investimentos do setor automotivo.
O desafio, daqui para frente, será sustentar esse ritmo de exportações e geração de vagas em um cenário de transição tecnológica, no qual a produção de veículos elétricos e híbridos deve ganhar peso crescente na matriz industrial da cidade.
Fontes: G7 ABC | Agência Gov | Usinagem Brasil




