Santo André reforça guarda municipal contra tráfico na Chácara da Baronesa
Prefeitura intensifica patrulhamento da GCM no entorno do parque estadual na divisa com São Bernardo, enquanto o governo estadual avança com obras de revitalização da área.
A região da Chácara da Baronesa, na divisa entre Santo André e São Bernardo do Campo, voltou a receber atenção redobrada do poder público nas últimas semanas. Segundo o Diário do Grande ABC, a prefeitura andreense, comandada por Gilvan Ferreira (Cidadania), intensificou a atuação da Guarda Civil Municipal no entorno do Parque Estadual, área que concentra problemas históricos de tráfico de drogas, ocupações irregulares e pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Muitos moradores da região convivem há anos com a sensação de insegurança ao circular pelas proximidades do parque, principalmente durante a noite. A dúvida mais comum entre quem frequenta a área é simples: a presença mais constante da guarda municipal realmente reduz o problema ou apenas empurra a criminalidade para outro ponto da cidade?
Os números divulgados pela prefeitura ajudam a dimensionar o esforço em curso. Entre 1º de janeiro e 16 de julho, a GCM registrou 143 atendimentos e realizou 68 operações na região, somando ações de saturação policial, bloqueios preventivos e atividades conjuntas com o Semasa, responsável pelo saneamento ambiental do município, além de equipes de limpeza pública.
Uma ofensiva com duas frentes
A estratégia do governo municipal combina repressão ao tráfico com a tentativa de devolver o espaço à população. Enquanto a guarda civil concentra esforços na segurança, o governo do Estado de São Paulo conduz, paralelamente, obras de revitalização do parque, que é uma unidade de conservação ambiental relevante para a divisa entre as duas cidades.
Essa combinação não é aleatória. Áreas degradadas e sem uso definido tendem a atrair ocupações irregulares e comércio ilegal justamente pela ausência de fiscalização e de circulação de pessoas em atividades legítimas. Recuperar fisicamente o parque, portanto, funciona como parte da própria estratégia de segurança, não apenas como uma ação paisagística isolada.
A proximidade entre os dois municípios também exige um mínimo de diálogo entre as gestões de Santo André e São Bernardo, já que a área de maior conflito fica exatamente na linha que separa as duas cidades. Ainda que a operação tenha sido conduzida pela guarda municipal andreense, o problema não reconhece fronteiras administrativas.
O que muda no dia a dia de quem mora perto do parque
Para os moradores do entorno, o principal efeito esperado é a redução da circulação de pessoas ligadas ao tráfico e das ocupações irregulares que se formaram ao longo dos anos. As ações de bloqueio preventivo, citadas pela prefeitura, costumam ser usadas justamente para dificultar a movimentação de quem comercializa drogas na região.
Ainda assim, operações desse tipo raramente resolvem o problema de forma definitiva em curto prazo. A experiência de outras regiões metropolitanas mostra que a manutenção da presença do poder público, de forma contínua, costuma ser mais eficaz do que ações pontuais e isoladas.
A revitalização do parque, conduzida pelo Estado, tende a ser o fator que trará mudanças mais visíveis no médio prazo, já que a reocupação legítima do espaço, com atividades de lazer e circulação regular de famílias, é apontada como uma das formas mais eficazes de desestimular o uso da área para fins ilícitos.
O caso da Chácara da Baronesa também serve como termômetro para outras áreas de fronteira entre municípios do Grande ABC, que enfrentam desafios semelhantes de segurança em regiões de divisa. A forma como Santo André e o governo estadual conduzirem essa parceria pode se tornar referência para intervenções futuras em pontos críticos da região.
Fonte: Diário do Grande ABC




