Yuri Silva Portela
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Aprendizado depois dos 60 fortalece autonomia e participação social durante o envelhecimento, retrata Yuri Silva Portela

A percepção de que a aquisição de conhecimento é uma atividade exclusiva da juventude ainda persiste, apesar de evidências contundentes que demonstram a capacidade de adaptação do cérebro em todas as idades da vida adulta. Doutor Yuri Silva Portela, com pós-graduação em geriatria, menciona que tal capacidade de aprendizado não desaparece com o envelhecimento. Ela apenas se beneficia de ritmo e contexto ajustados às particularidades de cada fase da vida.

Programas governamentais destinados a promover o envelhecimento ativo têm incorporado, a partir de 2026, uma variedade de atividades físicas, oficinas culturais, programas de convivência e iniciativas educacionais. Isso demonstra uma evolução na abordagem do conceito de envelhecimento, que ultrapassa a mera recomendação de exercícios físicos isolados, incluindo também a consideração de outras dimensões relevantes.

Neste artigo, discutiremos como o aprendizado na terceira idade contribui para a autonomia e a participação social, como selecionar atividades sem transformar essa fase em uma obrigação de produtividade e por que cursos, idiomas e artes vão muito além de um simples exercício mental.

Como o convívio em sociedade potencializa a aprendizagem?  

Reduzir as atividades de aprendizagem a exercícios cognitivos isolados, no entanto, ignora dimensões igualmente relevantes, como o convívio em sociedade, o senso de realização pessoal e a elaboração de novos projetos que dão estrutura à rotina diária. O doutor Yuri Silva Portela ressalta que a aprendizagem de uma língua, um instrumento musical ou uma técnica artística implica a superação gradual de desafiantes obstáculos, um processo que fortalece a autoconfiança e a disposição para continuar engajado em atividades desafiadoras ao longo do tempo e das décadas subsequentes.

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Cursos e oficinas em grupo também criam um contexto natural de convívio, reunindo pessoas com interesse genuíno compartilhado. Tal característica distingue esses eventos de encontros organizados apenas pela obrigação formal de socializar sem propósito comum definido entre os participantes envolvidos.

Por que a curiosidade genuína é essencial na escolha de atividades de aprendizagem?  

A pressão para manter a produtividade mesmo após a aposentadoria pode transformar atividades que deveriam ser prazerosas em uma nova fonte de cobrança e frustração desnecessária. O doutor Yuri Silva Portela, como pós-graduado em geriatria, enfatiza que a escolha de uma atividade de aprendizagem deve partir de uma curiosidade genuína, em vez de ser motivada por uma sensação de dever. Ele afirma que a motivação autêntica é fundamental para sustentar o engajamento de forma duradoura, superando qualquer obrigação externa imposta pela família ou pela sociedade.

É recomendável testar diferentes atividades antes de se comprometer com uma única opção, sem pressa para dominar rapidamente qualquer habilidade nova. Esta prática reduz a frustração comum entre iniciantes e aumenta as chances de encontrar algo que realmente faça sentido para aquela pessoa específica, respeitando seu próprio ritmo, interesses e limitações físicas eventuais.

Como o aprendizado contínuo pode transformar a percepção de envelhecer de forma ativa e significativa?

O Dr. Yuri Silva Portela salienta que o aprendizado na terceira idade amplia a participação social, cria novos vínculos e fortalece a sensação de continuar em desenvolvimento. Esses elementos estão diretamente relacionados à autonomia e ao senso de propósito na terceira idade. Cursos formais, atividades culturais e educação continuada não devem ser vistos apenas como uma forma de ocupar o tempo livre, mas sim como parte legítima de um envelhecimento ativo, engajado e cheio de significado.

Aprender após os 60 anos representa, acima de tudo, o reconhecimento de que o potencial de crescimento e desenvolvimento não está limitado a uma idade específica, desde que haja espaço, oportunidade e interesse genuíno em explorar novas habilidades ao longo da vida, sem pressão externa desnecessária.

Nesse sentido, o contato com novos conhecimentos também pode contribuir para que a pessoa idosa permaneça ativa em diferentes esferas da vida cotidiana, fortalecendo a confiança para tomar decisões, participar da comunidade e estabelecer novas relações. No fim, adquirir uma habilidade específica é apenas uma parte do aprendizado contínuo, que também pode fazer parte de uma rotina que preserve autonomia, curiosidade e participação social ao longo do envelhecimento.

 

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