Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que a feira internacional no Irã colocou os gasodutos no centro das oportunidades energéticas do Oriente Médio.
Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que a feira internacional no Irã colocou os gasodutos no centro das oportunidades energéticas do Oriente Médio.
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Feira internacional no Irã colocou gasodutos no centro das oportunidades energéticas do Oriente Médio

Paulo Roberto Gomes Fernandes presenciou, ainda em 2018, a realização da maior feira de petróleo e gás do Oriente Médio, sediada em Teerã, que manteve sua dimensão estratégica mesmo diante do anúncio da saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã. Observado a partir de janeiro de 2026, o evento é lembrado como um momento decisivo para o reposicionamento de projetos de infraestrutura energética na Ásia e no Oriente Médio, especialmente no segmento de gasodutos de longa distância.

A 22ª edição da Iran Oil Show foi organizada pela A M & T Solutions em cooperação com o Ministério do Petróleo do Irã e reuniu cerca de duas mil empresas, sendo mais de mil iranianas e outras centenas provenientes de aproximadamente quarenta países. O encontro marcou a segunda grande feira realizada após anos de sanções internacionais e ocorreu em um contexto político delicado, já que, à época, o governo norte-americano anunciava novas restrições econômicas ao país persa. Ainda assim, o evento seguiu com forte adesão internacional e ampla agenda de negócios.

O peso do Irã no cenário energético global

O Irã ocupa posição central no mercado global de energia, figurando entre os maiores produtores e refinadores de petróleo e gás do mundo, além de deter a segunda maior reserva de gás natural e a quarta maior reserva de petróleo. Esse protagonismo ficou evidente durante a feira, que atraiu grandes corporações internacionais interessadas tanto no mercado interno iraniano quanto em projetos regionais de transporte de energia.

Entre as companhias presentes estavam grupos como Siemens, Gazprom, Shell, Total, Saipem e Lukoil. Paulo Roberto Gomes Fernandes elucidou que a presença desse conjunto de empresas reforçou a percepção de que, apesar das incertezas geopolíticas, os investimentos em infraestrutura energética continuariam sendo prioridade na região.

Projetos de gasodutos e desafios geográficos

Um dos principais focos da feira foi a discussão sobre a construção de novos gasodutos de grande extensão, destinados a interligar países asiáticos e do Oriente Médio por meio de corredores energéticos que atravessam cadeias montanhosas extensas e regiões de difícil acesso. Esses projetos, muitos deles com centenas ou milhares de quilômetros de extensão, demandam soluções construtivas avançadas, sobretudo para o lançamento de dutos em túneis longos e confinados.

Nesse contexto, Paulo Roberto Gomes Fernandes avaliou que a feira se consolidou como um espaço privilegiado para o debate técnico sobre alternativas à construção tradicional em superfície. Em diversas regiões da Ásia Central e do Oriente Médio, os projetistas se deparam com escolhas complexas: atravessar montanhas por meio de túneis extensos, escalar terrenos de gelo e clima extremo ou contornar essas formações, aumentando custos, prazos e riscos operacionais.

Participação brasileira e interesse asiático

A presença brasileira no evento foi marcada pela participação da Liderroll, única empresa do país convidada a integrar oficialmente a feira. À época, a companhia direcionava seus investimentos estratégicos para a Ásia, justamente em função do volume crescente de projetos de gasodutos em desenvolvimento na região. A possibilidade de aplicação de soluções para lançamento de dutos em túneis despertou o interesse de engenheiros, projetistas e operadores envolvidos em empreendimentos de grande escala.

Paulo Roberto Gomes Fernandes comenta que o evento no Irã destacou os gasodutos como peça-chave nas novas oportunidades energéticas da região.

Paulo Roberto Gomes Fernandes comenta que o evento no Irã destacou os gasodutos como peça-chave nas novas oportunidades energéticas da região.

A delegação brasileira foi liderada por Elias Rocha, que destacou o caráter técnico do diálogo estabelecido durante a feira. Segundo ele, muitos projetos em análise exigiriam decisões difíceis do ponto de vista de engenharia, especialmente em áreas montanhosas extensas, onde soluções convencionais se mostram pouco eficientes. O evento serviu, assim, como plataforma para apresentação de alternativas capazes de reduzir tempo, custo e exposição a riscos ambientais.

Ambiente político e continuidade dos investimentos

Paralelamente às discussões técnicas, o ambiente político internacional esteve presente nos debates. À época, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciava a retirada do país do acordo nuclear com o Irã, reacendendo temores sobre novas sanções. Apesar disso, autoridades iranianas afirmaram que o país manteria seus níveis de produção e buscaria alternativas de investimento junto a companhias locais ou asiáticas, caso empresas europeias fossem pressionadas a recuar.

O ministro do Petróleo do Irã, Bijan Zanganeh, declarou durante o evento que o país possuía condições técnicas e institucionais para sustentar seus projetos energéticos mesmo em um cenário de restrições externas. Essa posição reforçou a leitura de Paulo Roberto Gomes Fernandes de que a Ásia passaria a assumir papel ainda mais relevante no financiamento e na execução de grandes projetos de gasodutos nos anos seguintes.

Um evento que antecipou tendências

Revisitada em 2026, a feira de petróleo do Irã realizada em 2018 é vista como um ponto de inflexão na geopolítica da infraestrutura energética regional. O encontro antecipou tendências que se confirmariam nos anos seguintes, como a intensificação de projetos de integração energética asiática e a busca por soluções de engenharia capazes de enfrentar desafios geográficos extremos.

Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, aquele evento demonstrou que, mesmo em cenários de instabilidade política, a demanda por energia e por infraestrutura segura continua impulsionando investimentos de longo prazo. A feira de Teerã consolidou-se, assim, como um marco na discussão global sobre gasodutos, túneis e novas rotas de fornecimento energético.

Autor: Alexei mully

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