Fertilizantes no centro da safra: Como a dependência externa e a relação de troca pesam nas decisões do produtor?
O custo dos fertilizantes é uma das principais variáveis no planejamento agrícola. Wander Aguilera Almeida, empresário no ramo de intermediação de compra e venda de grãos, explica que o momento da compra de insumos está ligado ao da venda da produção, e a forma do produtor equilibrar essas duas áreas define a margem da safra. O Brasil consome muitos fertilizantes, importando a maior parte deles, com estimativa de 85% da demanda.
Os principais produtos vêm da Rússia, Canadá, China e Marrocos, expondo o agronegócio nacional a oscilações cambiais, fretes marítimos e tensões geopolíticas. A dependência de insumos transforma a compra em decisão estratégica, não apenas operacional.
Neste artigo, o leitor entenderá por que os fertilizantes têm peso no custo da safra, como a relação de troca influencia as decisões e como buscam diminuir a vulnerabilidade do produtor.
Por que os fertilizantes pesam tanto no custo da produção?
Os solos tropicais brasileiros, em geral, apresentam baixa fertilidade natural, exigindo correção e adubação constantes para garantir altas produtividades. Por conseguinte, os fertilizantes geralmente representam a maior parcela do custo de produção da soja e do milho, superando os gastos com sementes e defensivos. Em sua explicação, Wander Aguilera Almeida, empresário do agronegócio, afirma que tal peso tem o efeito de fazer com que quaisquer variações nos preços dos insumos repercutam diretamente no ponto de equilíbrio da lavoura.
O preço do produto reflete o mercado internacional porque a maior parte dele é importada. Conflitos, rotas de transporte e decisões de exportação podem alterar rapidamente as cotações e o custo por hectare.
O câmbio é um fator determinante para o resultado final. Um dólar mais alto encarece o insumo importado, mas também tende a valorizar os grãos exportados em reais. Ao analisar essa dinâmica, Wander Aguilera Almeida destaca que o produtor pode chegar a conclusões equivocadas sobre o melhor momento de comprar ao olhar apenas para o preço do fertilizante, sem compará-lo ao valor da produção.
A relação de troca como bússola das decisões
É justamente essa comparação que a relação de troca expressa. O indicador mostra quantas sacas de soja ou de milho são necessárias para comprar uma tonelada de fertilizante, permitindo avaliar o poder de compra do produtor de forma mais realista do que a análise isolada dos preços. A partir dela, algumas estratégias ganham espaço:
- Compra antecipada de insumos: adquirir fertilizantes meses antes do plantio pode garantir preços melhores e disponibilidade do produto, mas exige capital e expõe o produtor a eventuais quedas de preço posteriores.
- Operações de troca de insumos por grãos: conhecidas como barter, permitem pagar os fertilizantes com parte da produção futura, travando a relação de troca e reduzindo a necessidade de desembolso no início do ciclo.
- Compras escalonadas: dividir as aquisições em etapas ao longo do ano ajuda a diluir o risco de comprar tudo em um momento de preço elevado, acompanhando a evolução do mercado internacional.
- Venda casada de grãos e compra de insumos: fixar o preço de parte da produção no mesmo momento em que se compra o fertilizante protege a margem contra movimentos opostos entre o valor do insumo e o do grão.

Wander Aguilera Almeida
Cada estratégia tem custos e riscos específicos. Wander Aguilera Almeida, que acompanha as safras de grãos e a evolução das cotações, aponta que a relação de troca ganha mais importância em safras de margens apertadas, como a de 2026/27.
Quais são as tendências para reduzir a vulnerabilidade?
A dependência externa motivou o governo a lançar, em 2022, o Plano Nacional de Fertilizantes, com a meta de reduzir significativamente a participação das importações até 2050 por meio do aumento da produção nacional. A expansão da indústria doméstica, no entanto, demanda investimentos de longo prazo em mineração, energia e infraestrutura.
Paralelamente, a eficiência no uso de nutrientes emerge como uma tendência no contexto agrícola. A agricultura de precisão, a análise de solo mais detalhada e a aplicação em taxa variável permitem a colocação do fertilizante apenas onde necessário, reduzindo desperdício e custos. Ademais, de acordo com Wander Aguilera Almeida, ganhos de eficiência desse tipo melhoram a relação de troca na prática, porque diminuem a quantidade de sacas comprometidas com insumos.
Alternativas como remineralizadores de solo, fertilizantes orgânicos e produtos biológicos também têm sido empregadas como complemento aos fertilizantes convencionais. Embora ainda não tenham substituído a adubação tradicional em larga escala, tais práticas ampliam as opções dos produtores e reduzem sua exposição ao mercado internacional.
Insumo global, decisão local
A dependência de fertilizantes importados mantém o produtor brasileiro conectado a acontecimentos que ocorrem muito longe da porteira. Fatores como câmbio, geopolítica e logística internacional impactam o custo de cada hectare plantado, tornando a compra de insumos uma das decisões mais estratégicas do ciclo.
A relação de troca apresenta uma solução para essa complexidade, ao estabelecer o preço do insumo e o valor do grão de forma equivalente. Na indústria do agronegócio administrada pelo empresário Wander Aguilera Almeida, essa abordagem conjunta estabelece diretrizes que vinculam a aquisição de fertilizantes à negociação da safra.
Até que a produção nacional progrida de maneira contínua, a eficiência no uso, o planejamento das compras e a proteção de margens continuarão sendo as principais ferramentas do produtor diante de um insumo cujo preço é definido no mercado global.




